A paixão dos atletas do Atlético por leitura se estendeu além dos campos. Motivada pelo hábito que Gustavo Scarpa tem promovido entre os colegas, a torcedora Carolina Marques, de 22 anos, fundou o "Galeitura", um clube do livro que reúne seguidores do clube que desejam ler e debater as obras recomendadas pelo jogador.
Carolina está cursando Letras na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e relata que a literatura tem sido parte de sua vida desde a infância. Ela é torcedora do Atlético desde o nascimento e nasceu em 25 de março, coincidindo com a data de aniversário do clube.
Galeitura nasceu quando ela estava deitada na cama e concebeu a ideia de criar um espaço onde a torcida pudesse acompanhar as leituras que animavam o elenco.
Carolina contou que imaginou criar um clube do livro para ler os títulos que Scarpo publica, pois a torcida está em uma movimentação gigante.
A ideia foi divulgada no Twitter e, quando alguém manifestou interesse, Carolina resolveu colocar o plano em ação. O que começou como uma proposta que ela pensava reunir cerca de 10 pessoas expandiu-se rapidamente. Hoje, o grupo conta com aproximadamente 500 participantes, e as vagas já foram encerradas no Twitter.
Pessoal, MUITO obrigada pelo interesse e por toda a repercussão. O Galeitura cresceu de uma hora pra outra e ainda estamos assimilando tudo isso. Por enquanto, fechamos as vagas no grupo, mas estamos estudando formas de conseguir incluir TODOS os interessados. Fiquem de olho! — galeitura (@galeitura) September 15, 2026
O nome também nasceu da movimentação da própria torcida. Carolina conta que viu alguém usar a expressão “Galeitores” em uma publicação e, a partir daí, surgiu a ideia de juntar “Galo” e “leitura” no nome do clube.
Primeiro livro
O Galeitura selecionou como primeira obra 'A Morte de Ivan Ilitch', de Liev Tolstói. A leitura teve início nesta semana, após um encontro inaugural dedicado à apresentação dos participantes e à escolha da obra.
Confira este conteúdo no Instagram. Publicado por galeitura | clube do livro (@galeitura)
Segundo Carolina, o grupo está dividido em dois espaços: um destinado especificamente à leitura e outro para conversas e interação entre os integrantes. Antes do início, ela também fez uma enquete para saber quem já havia começado a leitura e quem pretendia iniciar.
A ideia é selecionar um livro a cada mês. Ao concluir cada leitura, os participantes se encontrarão virtualmente para debater a obra, com a condução dos moderadores. A entidade também planeja disponibilizar um formulário de inscrição para quem desejar participar das discussões, visto que o tamanho do grupo pode tornar inviável uma conversa simultânea com todos.
Adicionalmente, pretende‑se chamar indivíduos vinculados ao Atlético para se engajarem nas conversas.
Scarpa como inspiração
A origem da iniciativa Galeitura surge do vínculo de Scarpa com a literatura e da forma como ele passou a estimular os colegas a se engajarem na leitura. Carolina recorda que o jogador já havia comentado sobre se sentir deslocado dentro do elenco por ter gostos distintos dos demais, sobretudo no que tange a livros e músicas.
Com a alteração e a aceitação dos atletas nas leituras, a torcida passou a observar a dinâmica. Entre os atleticanos, surgiu até a piada de que Scarpa estava “alfabetizando” o time.




Reprodução/Instagram/@gustavoscarpa10
Segundo Carolina, o Galeitura funciona como uma estratégia para estender essa iniciativa além da equipe e estimular a leitura entre os torcedores.
Queremos levar isso também à torcida, ler em conjunto e estimular a leitura. Como mencionei, a leitura e a literatura são minha vida.
O clube também quer envolver Scarpa na ação. Uma das propostas é permitir que o próprio jogador escolha um dos próximos livros a serem lidos e, depois, participe das discussões sobre eles. "Esses foram a maior fonte de inspiração para minha obra", disse Carolina.
Possível parceria com o Instituto Galo
O Galeitura já iniciou diálogos com o Instituto Galo para desenvolver iniciativas que estimulem a leitura. De acordo com Carolina, o contato surgiu quando a diretora do instituto comentou em uma publicação sobre o projeto e entrou em contato com os responsáveis pela iniciativa.
Ela declara que o primeiro diálogo foi mais superficial e que um novo encontro está previsto para a próxima semana, a fim de estabelecer as possíveis ações sociais.
Segundo Carolina, o Instituto Galo já havia recebido solicitações de pessoas para desenvolver alguma ação que promovesse a leitura. Quando o Galeitura foi criado, a entidade decidiu apoiar o projeto.
A proposta continuará em fase de debate entre as partes envolvidas, porém o objetivo principal é implementar iniciativas sociais voltadas à promoção da leitura.





