A corte de justiça determinou a suspensão temporária da autorização para o médico Rodrigo Ribeiro Credidio, o proprietário e diretor técnico da Clínica Credidio Cirurgia Plástica e Nutrologia, localizada em Belo Horizonte. A determinação foi tomada pela 26ª Vara Cível da capital, após uma ação civil pública apresentada pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), que incluiu depoimentos e registros de pelo menos 11 pacientes submetidos a procedimentos estéticos realizados pelo profissional. Em um comunicado, a defesa do médico negou irregularidades e informou que a decisão será contestada imediatamente, pois 'foi proferida em contradição à legislação' (leia o comunicado integral).

Além da suspensão da prática profissional, a justiça impôs que a clínica nomeasse um novo diretor técnico em substituição a Credidio, e informasse, em no máximo 15 dias, o nome e o registro no Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) do profissional que assumirá a função.

A determinação agora exige que a clínica apresente, em igual prazo, termos de consentimento informado, prontuários médicos e registros clínicos de todas as pacientes tratadas e submetidas a procedimentos cirúrgicos realizados pelo médico entre 2019 e 2024. Em casos de descumprimento, poderá ser implementada a busca e apreensão dos documentos.

Decisão tomada após análise preliminar

De acordo com a decisão, os elementos apresentados pela Defensoria, juntamente com documentos posteriores e o parecer do Ministério Público de Minas Gerais, apontam, em análise preliminar, para um possível padrão de condutas envolvendo a realização de múltiplos procedimentos cirúrgicos de alta complexidade em uma mesma sessão, problemas relacionados ao consentimento informado e deficiências na assistência pós-operatória.

O processo menciona também irregularidades sanitárias relacionadas à clínica. De acordo com o Judiciário, a unidade teria operado sem o alvará sanitário necessário para realizar procedimentos cirúrgicos entre 2019 e 2020, e novamente entre 2021 e 2024.

Em uma inspeção realizada pela Vigilância Sanitária de Belo Horizonte em 26 de abril de 2024, foram identificados equipamentos médicos com data de validade vencida, falta de rastreabilidade dos medicamentos e ausência de Plano e Núcleo de Segurança do Paciente.

A clínica sustentou sua defesa no processo, argumentando que atualmente possui regularidade sanitária, com alvará renovado em julho de 2026, e mencionou decisões de ações individuais anteriores. Entretanto, para o juiz, a regularização posterior não elimina as irregularidades identificadas em períodos anteriores.

A suspensão imposto pela justiça se configura como uma medida cautelar, estipulada durante a tramitação do caso.

Filho da vítima entende a sentença como uma importante conquista

Em entrevista, Gustavo Botelho, filho de uma das vítimas, afirmou que a liminar representa o início de uma nova fase no processo. Ele entende que a decisão nivela a discussão de suposta culpa, que até então estava totalmente em favor das vítimas. Gustavo acredita que, agora, haverá uma maior celeridade nas ações, com uma apuração mais efetiva das condutas envolvidas. Norma Eduarda Fonseca, que faleceu em abril de 2024 aos 59 anos, após complicação de cirurgia estética em fevereiro do mesmo ano, realizada na clínica Credidio, é a mãe de Gustavo.

De acordo com a família, Norma passou por cinco procedimentos durante um único procedimento cirúrgico, que durou aproximadamente sete horas.

Após deixar o hospital, ela experimentou vômitos e diarreia, além de inchaço abdominal e necrose nos locais que haviam sido submetidos a cirurgia. Norma precisou retornar ao hospital devido a uma infecção hospitalar, falecendo em 17 de abril. De acordo com a documentação fornecida pelos familiares, a certidão de óbito menciona disfunção orgânica múltipla e choque séptico como as principais causas da morte.

Em 2025, Gustavo reunificou documentos, depoimentos e outros elementos que, conforme ele, poderiam auxiliar na investigação de um possível erro médico e negligência no caso da mãe. Uma notícia-crime contra o médico também foi apresentada.

Segundo Gustavo, atualmente, há 11 ações protocoladas no CRM-MG relacionadas ao médico. As pessoas que alegam ser vítimas também formaram um grupo para acompanhar esses casos. De acordo com ele, as vítimas, em termos formais, são aquelas que já protocolaram denúncias no CRM.

Em um comunicado, a clínica anuncia que fará um recurso imediato à decisão, fundamentando-se em que foi proferida em desconformidade com a legislação. A clínica ainda afirma possuir todas as licenças e um alvará sanitário válido.

...O caso em questão foi apresentado resultando em um erro para a Defensoria Pública, devido à atuação maliciosa de um denunciante que distorceu fatos e apresentou documentos propositalmente incompletos. Todas as provas sobre a regularidade e qualidade dos procedimentos médicos já foram examinadas e a clínica confia que, após a análise da Defensoria Pública, a decisão original será revogada...