O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, esteve reunido nesta quarta-feira (9), com representantes de oito cidades da Região Metropolitana, incluindo o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e o novo presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), desembargador Ricardo Machado Rabelo. O encontro teve como principal objetivo solicitar uma decisão judicial para permitir o início das obras do Rodoanel. O processo judicial já foi concluído há 58 dias, e agora resta apenas uma sentença da Justiça para autorizar os trabalhos.

O governador Mateus Simões enfatizou a relevância do projeto para a Grande BH, conforme a mobilização dos prefeitos. Ele apontou que a incerteza está já causando impactos econômicos e urbanos, com quase R$ 5 bilhões parados e R$ 12 bilhões em investimentos que foram cancelados. O Rodoanel é considerado um fator de transformação tanto no âmbito logístico quanto industrial, beneficiando municípios como Sabará, Contagem e Betim.

Durante a reunião, os gestores locais tiveram oportunidade para expor suas preocupações específicas. Simões declarou que nenhum dos municípios presentes se opõe à implantação do Rodoanel e defendeu que o projeto passe de uma ideia para uma realidade concretizada. Ele acredita que a demora no aprovamento tem impacto negativo na segurança viária, uma vez que o Anel Rodoviário registra mortes.

“O mais importante é ter uma decisão”, afirmou o governador que mudou o tom em relação a março, quando ameaçou retirar o investimento previsto na obra. Simões disse ainda que pretende aguardar a sentença antes de tomar qualquer decisão sobre o destino dos recursos destinados ao projeto.

De acordo com os administradores municipais, o presidente do TRF-6 declarou a necessidade de uma solução, embora não possa intervir diretamente no caso que está em andamento na primeira instância.

Explique o conflito relacionado à construção do Rodoanel

A controvérsia sobre o Rodoanel persiste desde a suspensão da licença prévia do empreendimento pelo Judiciário em outubro de 2025. A decisão impôs a necessidade de consultas às comunidades quilombolas atingidas pelo trajeto da obra. Desde então, o Executivo e os representantes dessas comunidades têm travado uma batalha sobre quais grupos devem ser consultados e qual o melhor modo de implementar esse procedimento.

Durante a reunião anterior, ocorrida em março deste ano, Simões indicou a possibilidade de cancelar os quase R$ 5 bilhões previstos para o Rodoanel, conforme acordos judiciais com Brumadinho, e realocar o dinheiro para outras iniciativas de mobilidade, como a expansão do metrô. Nessa ocasião, o governador enfatizou que a incerteza poderia comprometer o investimento e comprometer a Região Metropolitana.

Agora, segundo Simões, o cenário avançou. Ele menciona que existem 14 comunidades quilombolas envolvidas na discussão. Sete delas foram convidadas para participar do processo, enquanto outras sete preferiram não participar. Dentre as que apresentaram demandas, quatro já foram atendidas e três ainda estão em andamento.

O governador indicou que não planeja exercer pressão sobre a Justiça para que tome uma decisão que ignore as comunidades. Uma das alternativas discutidas incluiu permitir o início das obras e realizar em seguida consultas com as comunidades situadas mais afastadas do empreendimento e com as comunidades tradicionais.

O Rodoanel prevê cerca de 100 quilômetros de extensão e passa por oito municípios: Sabará, Santa Luzia, Vespasiano, São José da Lapa, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Contagem e Betim. O projeto foi contratado em 2023, mas as obras ainda não começaram.

O governo prevê que o empreendimento possa reduzir entre 30 e 50 minutos os deslocamentos na Região Metropolitana e diminuir a circulação de aproximadamente 5 mil caminhões por dia nas áreas urbanas, principalmente na atual rede viária do Anel Rodoviário.

Em caso de vitória judicial, Simões assegura que os recursos destinados ao Rodoanel serão mantidos pelo governo. Caso contrário, o executivo mineiro planeja recorrer à mesa de conciliação com os prefeitos para buscar outra destinação para os recursos.