O senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera numericamente em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um eventual segundo turno presidencial, de acordo com pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8), com os eleitores de Minas Gerais. A pesquisa indica Flávio com 40% das intenções de voto, enquanto Lula tem 37%.

Apesar da superioridade na quantidade de votantes, ambos os candidatos se encontram tecnicamente empatados, conforme estabelecido pela margem de erro de três pontos percentuais da pesquisa. O estudo ouviu 1.506 eleitores mineiros entre os dias 4 e 7 de setembro. Além disso, 15% dos entrevistados declararam que prefeririam não votar, anulariam o voto ou optariam por votar em branco, enquanto 8% ainda não se decidiram sobre quem votarão.

As diferenças são significativas quando o eleitorado é analisado por características como idade, renda, escolaridade, gênero, cor ou religião. Por exemplo, Flávio aparece com vantagem entre os eleitores com ensino superior e renda mais elevada, enquanto Lula é mais reconhecido por seus votos entre aqueles com menor renda e entre os mais idosos.

Gênero e faixa etária

Entre os participantes do censo, 44% dos homens declararam apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto apenas 37% torciam por Lula. Por outro lado, entre as mulheres, o panorama se inverte: 37% apoiavam Lula, enquanto 35% apontavam seu nome para Flávio.

A disparidade se observa ainda no percentual de eleitores que ainda não se decidiram. Entre os homens, 4% estão indecisos, enquanto esse número sobe para 12% entre as mulheres. Quando analisado por faixa etária, é percebida uma vantagem de Flávio para os jovens eleitores e de Lula para os mais velhos.

No intervalo de 16 a 34 anos, Flávio possui 40%, enquanto Lula alcança 34%. Entre os eleitores com idades entre 35 a 59 anos, o senador Flávio lidera com 41%, enquanto o presidente Lula tem 36%. Por fim, na faixa etária de 60 anos ou mais, Lula se posiciona à frente, obtendo 44% dos votos, contra 36% de Flávio.

Escolaridade e renda

A disparidade aumenta ainda mais quando os eleitores são agrupados pela sua escolaridade. Dos que estudaram até o ensino fundamental, Lula lidera com 45% das intenções de votos, enquanto Flávio alcança apenas 32%.

No ensino médio, a situação se altera: Flávio alcança 43% de intenção de voto, enquanto Lula tem 32%. O candidato do senado mostra maior vantagem no segmento que possui ensino superior. Neste grupo, Flávio alcança 50%, contra 30% de Lula.

O recorte de renda revela uma disparidade. Os votos de quem recebe até dois salários mínimos são majoritariamente para Lula, com 49%, em contraste com a participação de Flávio que alcança apenas 27%.

Na categoria superior de rendimentos, que representa pessoas que ganham mais de dois salários mínimos, o senador ocupa o primeiro lugar com 41% das intenções de voto, enquanto o presidente está em segundo com 35%. No grupo de rendimentos elevados, acima de cinco salários mínimos, Flávio aparece em primeiro lugar com 48% das intenções de votos, enquanto Lula registra 30%.

Raça e religião

A pesquisa revela variações no segmento por cor ou raça. No caso dos eleitores de cor branca, Jair Bolsonaro é apontado como vencedor com 46%, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva tem 32%.

Entre as pessoas de pele morena, o presidente possui 41% de apoio, enquanto o senador alcança 36%. A diferença é ainda mais acentuada entre os eleitores de pele negra: Lula detém 42% de apoio, enquanto Flávio soma 31%.

O segmento religioso revela uma grande discrepância. No caso dos católicos, Lula é apoiado por 41% das intenções de voto, enquanto Flávio alcança 35%. Por outro lado, entre os evangélicos, o senador atinge 54% dos votos, enquanto Lula é apoiado por apenas 23%.

Identificação política

A distinção partidária constitui um elemento que aumenta a separação entre os contendores eleitorais.

Dentre os apoiadores do ex-presidente Lula, ele aparece com 97% de intenção de voto, enquanto Flávio registra apenas 1%. Na esquerda não vinculada ao Lula, o presidente obtém 86% de apoio, contra 3% de Flávio.

Entre os eleitores que escolhem livremente, a situação é mais equilibrada: Lula possui 28% e Flávio 27%. Nesse contingente, 33% declararam que votariam em branco, anulariam o voto ou não iriam ao colégio eleitoral.

No campo político oposto a Bolsonaro, a superioridade de Flávio é notória. Entre os eleitores de direita que não são bolsonaristas, Flávio aparece com 86% de aceitação, enquanto Lula registra apenas 4%. Já entre os apoiadores diretos de Bolsonaro, Flávio ocupa 91% de rejeição, enquanto o presidente alcança apenas 5%.

Flávio registra aumento em termos numéricos em comparação com a pesquisa anterior.

O resultado indica uma alteração no saldo de votos em comparação com o levantamento anterior da Quaest em Minas. Em julho, Lula possuía 38% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio tinha 35%.

Agora, o senador detém 40% das intenções de voto, enquanto Lula ocupa 37%. Apesar da variação nas estimativas, os dois indicadores permanecem dentro da margem de erro da pesquisa, que é de três pontos percentuais.