Ao lembrar das duas filhas que vive com ele, o motociclista Vinícius Martins, 34 anos, optou por parar a moto e se colocar no meio de um enxame de abelhas para salvar uma menina de 12 anos que estava sendo atacada em frente a uma escola de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. "Pensei nas minhas filhas", afirma o motociclista, que também exerce comércio. A cena foi gravada em vídeo, evidenciando Vinícius puxando a criança para longe do enxame.

A garota permanecia imóvel, clamando, enquanto as abelhas a atacavam. Outros jovens e transeuntes que transitavam pela área também foram alvo das abelhas. De acordo com Vinícius, ele tentou chamar a menina diversas vezes, porém não obteve resposta. Enfrentando a situação, ele optou por se aproximar e afastá‑la do local.

“Eu vi ela no cantinho, paradinha lá, gritando. Aí, eu chamei ela umas três vezes e ela não respondia. Aí fui lá e puxei”, contou o motociclista.

Motociclista recorre a desodorante para repelir abelhas

O motociclista relatou que havia um desodorante armazenado no baú da moto e tentou usar o produto enquanto resgatava a menina que estava sendo atacada por abelhas. Segundo ele, o odor pareceu ajudar a dispersar parte das abelhas. Contudo, ele também acabou sendo atacado, sofrendo pelo menos 40 ferroadas. Ele só percebeu a gravidade da situação depois, mas afirmou ter sentido apenas dor de cabeça e não procurou atendimento médico.

Para Vinicius, a decisão de socorrer a menina aconteceu de forma instantânea, sobretudo porque ele percebeu uma semelhança entre ela e suas próprias filhas. "Ela lembrava minha filha. Eu nem sei se teria alguma alergia a abelha", contou.

O motociclista pensa que a menina entrou em estado de choque durante o ataque. Após ser retirada do local, ela recebeu cuidados de funcionários da escola, que despejaram água sobre seu corpo antes de levá‑la para dentro da instituição.

Vinicius também informou que outras crianças foram vítimas de agressões. Dentre elas, havia a irmã mais nova da garota que figura no vídeo. De acordo com a mãe, a mais nova já recebeu alta, enquanto a irmã mais velha, de 12 anos, continua internada na UTI pediátrica de Contagem.

Um ataque de abelhas ocorreu quando uma colmeia caiu de uma árvore.

O assalto se deu por volta das 13h da última segunda-feira (14), quando uma colmeia despencou de uma árvore próxima à entrada da escola, localizada na rua Flor de Liz, no bairro Jardim Montreal. Após a queda, as abelhas ficaram agitadas e começaram a atacar quem se encontrava nas redondezas.

Os primeiros socorros foram prestados pelas equipes do SAMU, enquanto a Polícia Militar colaborou no confinamento da região. Os estudantes foram autorizados a deixar o local até que o perigo fosse mitigado.

No início, a equipe de bombeiros pretendia capturar e retirar o enxame à noite, quando as abelhas normalmente se concentram. Como a captura não se concretizou, os insetos tiveram que ser exterminados. O incidente foi concluído por volta das 21h.

Mesmo depois de ser picado e sentir os efeitos do ataque, Vinicius diz que não se arrepende da atitude. Questionado se faria tudo novamente, foi direto: “Repetiria tudo de novo.”

Prefeitura esclarece onde ocorreu o ataque

A administração municipal de Ibirité informou que a colmeia não se encontrava dentro das instalações da Escola Municipal Ouro Negro/Montreal. As abelhas foram localizadas no Salão do Encontro, um centro que realiza programas em colaboração com a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, e a Petrobras. Esse espaço oferece oficinas de arte-educação, suporte psicossocial, alimentação e outras atividades no contraturno para aproximadamente 130 alunos de quatro escolas municipais.

O incidente ocorreu quando os estudantes saíam do Salão do Encontro, ao término das atividades. A jovem, de 12 anos, frequenta a Escola Municipal Ouro Negro e estava acompanhada pelo avô, que vinha buscar a irmã, que faz parte do projeto.

A menina foi socorrida e primeiramente encaminhada à UPA de Sarzedo. Em seguida, foi transferida para um hospital em Contagem, onde continua sob cuidados médicos. De acordo com relatos da família, a adolescente permanece estável, passando por exames e sob vigilância no CTI. A Secretaria Municipal de Educação acompanha o caso e mantém contato com os familiares.