Uma paciente revelou ter trauma por olhar no espelho após realizar procedimentos estéticos no consultório do cirurgião plástico Rodrigo Credidio, que atua na Clínica Credidio Cirurgia Plástica e Nutrologia, localizada no bairro Anchieta, em Belo Horizonte. Ela, assim como outra mulher, relatou episódios de ‘terror’ após procedimentos realizados com o profissional. As denúncias incluem possíveis irregularidades nos procedimentos cirúrgicos, problemas nos resultados das cirurgias e falta de acompanhamento pós-operatório. A clínica informou sobre o caso em nota.

O registro profissional do cirurgião foi anulado pela Justiça de Minas Gerais no último dia 8, em resposta a uma ação civil pública apresentada pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), que inclui relatos e documentos de pelo menos 11 pacientes submetidas a cirurgias entre 2019 e 2024.

Além de proibir a prática médica, a determinação impede que a clínica apresente termos de consentimento, prontuários e registros clínicos de todas as pacientes submetidas a procedimentos pelo profissional durante o período em questão. Em caso de infração, a justiça poderá autorizar a realização de buscas e apreensões dos documentos.

De acordo com a decisão, os documentos apresentados pela Defensoria Pública, junto com o parecer do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), sugerem, em análise inicial, a possibilidade de uma prática sistemática envolvendo múltiplas cirurgias de alto grau em um mesmo procedimento, falhas no processo de consentimento dos pacientes e insuficiência na assistência post-operatória.

Testemunha narra angústia em face de situações adversas

Pollyanna Carvalho, de 41 anos, relatou Rodrigo Credidio. A cirurgia foi realizada em novembro de 2022, após indicação de uma amiga. Antes da intervenção, ela pesquisou sobre a clínica e o médico, descobrindo que possuía registro regular no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Segundo ela, o objetivo inicial era buscar conselhos para eventual redução de mama, motivada por dores na coluna após a maternidade e pelo excesso de peso. Durante a consulta, entretanto, ela foi convencida a realizar um 'combo' de cirurgias. Ela afirmou que ele a convenceu de que seria vantajoso para ela. Disse que tinha experiência em realizar procedimentos em mulheres acima do peso e que, além de resolver o problema de coluna, ela também ficaria com um aspecto mais atraente.

Em adição à diminuição do tamanho do seio, o pacote também contemplava a abdominoplastia e a gluteoplastia, custando um total de R$ 25 mil.

No dia da cirurgia, Pollyanna relata ter percebido um primeiro alerta: mesmo estando pronta para entrar no centro cirúrgico, o procedimento só foi iniciado após a confirmação de um PIX de grande valor que havia sido temporariamente impedido pelo banco. Pollyanna já estava completamente preparada, vestida com camisola, ligando ao banco para autorizar a transferência. Até que o dinheiro não desse entrada, o procedimento cirúrgico não poderia iniciar.

Ela declara que, após o procedimento, Rodrigo saiu do hospital antes de sua recuperação. No dia seguinte, recebeu alta sem ter a oportunidade de vê-lo novamente. 'Eu queria falar com ele e as enfermeiras disseram que ele não viria. Fui embora com uma alta que não foi concedida por Rodrigo.'

Nos dias seguintes, a intensidade das dores aumentou e toda a comunicação passou a ser feita apenas por meio do WhatsApp, utilizando-se das enfermeiras da clínica para contato.

Pontos endureceram, deixando cicatrizes que exalam um odor desagradável de carne moída.

Pollyanna observou que após cerca de três dias da cirurgia, começou a apresentar febre. Ela relatou as mudanças nos pontos, que escureciam, à equipe médica. Entretanto, a equipe informava que os sintomas estavam dentro da normalidade da cicatrização.

A condição se agravou para uma necrose extensa, com os pontos de coagulação se abrindo e a ferida começando a emitir um forte odor. ‘Eu costumava sentir um cheiro de carne moída. Foi perturbador’, relata.

Elas relatam que procuraram aconselhamento de um ginecologista de referência e contrataram uma enfermeira especializada em cicatrizes, que passou a orientar os procedimentos de curativos. Simultaneamente, Rodrigo persistia em afirmar que se tratava apenas de uma 'crosta'.

Posteriormente, o médico realizou um procedimento para remover tecido necrosado em sua clínica, sem anestesia, conforme a paciente relatou. A remoção dos pontos também foi feita por uma enfermeira, causando-lhe intensa dor. Ela acredita que a intervenção de outros profissionais, como o médico e a enfermeira, foi crucial para evitar que seu quadro se agravasse.

Veja imagens dos pontos com necrose

(Reprodução/Imagens cedidas ao)

Novas representações criadas para proteger elementos de conteúdo sensível e a pessoa envolvida.

O instante mais impactante após a cirurgia, conforme relatado por Pollyanna, foi o medo persistente de enfrentar a morte. À época, seu filho tinha quatro anos. 'Eu já fui morrer, eu também vou morrer' era uma frase que Pollyanna repetia para o pequeno, que respondia que isso fazia parte da normalidade, apenas querendo atenção.

Ela recorda que chorava diariamente ao contemplar seu filho, acreditando que não resistiria às complicações. ‘Eu olhava para ele e pensava: “Pessoas, eu vourei. Esse menino ficará sem mãe”. Era um desespero. Ele questionava quando eu ia recuperar-me para voltar a dormir comigo, e eu creia que estava morrendo de verdade.’

Quatro anos após a experiência, Pollyanna afirma ter decidido denunciar o médico, Rodrigo Credidio, após assistir à televisão ao caso de Norma, uma paciente que faleceu após uma cirurgia realizada por ele. Pollyanna percebeu que sua situação não era única. 'Cada vez que essa história volta à mídia, eu reluto nela. Foi necessário ajustar minhas medicações devido às experiências flashs daquele período.'

Uma outra internada experimenta efeitos colaterais após a intervenção cirúrgica.

Outra vítima que alega ter sofrido danos por irregularidades, que optou por não ser identificada, tem 41 anos e afirma ter realizado uma cirurgia com Rodrigo em julho de 2019. Ela diz que chegou ao consultório com interesse em realizar uma abdominoplastia e uma lipoescultura, mas foi proposta mais procedimentos nas mamas após sua entrada com o médico.

De acordo com ela, Rodrigo exibiu fotografias de procedimentos de cirurgia que havia realizado e afirmou que via maior urgência de intervenção na mama do que na barriga. Como ela não possuía recursos financeiros para realizar as cirurgias de maneira separada, o médico ofereceu um desconto para que as cirurgias fossem realizadas no mesmo bloco cirúrgico. Ela chegou para realizar a abdominoplastia, mas ele a convenceu a focar mais no peito, a mama, considerando que não via tanta necessidade de realizar a cirurgia na barriga. Ela explicou que, embora não tivesse condições financeiras para realizar os procedimentos separadamente, ele ofereceu um valor mais atraente para isso.

O pacote, conforme a vítima, alcançou uma soma de aproximadamente R$ 18 mil e compreendia procedimentos como lipoescultura, abdominoplastia, mastopexia e a implantação de prótese de silicone.

Ela afirma que experimentou fortes sintomas após o procedimento, realizado pela manhã. ‘Comecei a tremer muito, vomitar, senti tontura. A noite toda passei mal, com muita dor’, contou. Segundo ela, Rodrigo não a acompanhou após a cirurgia e só voltou a vê-la durante o retorno, aproximadamente 15 dias depois.

A vítima afirma que, após a cirurgia, começou a questionar o resultado. Ela relata que a mama ficou com a prótese solta e sem sustentação, além de apresentar excesso de pele. A cicatrização foi demorada e houve saída de pus. 'Minha mama ficou como se fosse um balão, com a prótese solta e sem sustentação, sem pele suficiente para amamentar. Tive excesso de pele e a mastopexia não foi realizada, resultando em meu corpo ficar pior do que antes', declarou.

Vítima afirma que seu corpo em pior estado do que inicialmente

A enfermeira relata que a paciente persistiu em expressar sua insatisfação com o resultado e que, inicialmente, o médico atribuiu a aparência das mamas aos efeitos colaterais do inchaço. Em um novo atendimento, Rodrigo confirmou que seria necessário realizar uma intervenção cirúrgica adicional.

Ela relata que o médico sugeriu cobrar somente os custos relacionados à anestesia e ao hospital. No entanto, antes da realização do procedimento, ela se envolveu em um acidente e ficou internada por um período de quatro meses e 19 dias.

Após se recuperar, ela retornou ao consultório com o intuito de retomar a discussão sobre a cirurgia. Durante esse encontro, relata ter se sentido ameaçada e humilhada pelo profissional. Ele a chamou de pobre, argumentando que não gosta de operar pessoas de baixa renda, pois o rico costuma voltar para pagar novamente caso a cirurgia não saia conforme o esperado. Em contrapartida, a pobre fica esperando e se mostrando insatisfeita.

Ainda conforme a vítima, Rodrigo afirmou que ela poderia procurar a Justiça, pois dispunha de dinheiro para contratar os melhores advogados e peritos de Belo Horizonte. Ela saiu da sala dele chorando. Foi um dinheiro que ela trabalhou muito para juntar. Ele mostrou resultados satisfatórios e, após tudo, disse que o problema era sua pele, que era ruim.

Ela relata que abandonou o consultório e foi auxiliada por uma mulher que caminhava pela rua. Uma viatura da polícia foi acionada e ela registrou um boletim de ocorrência. No entanto, naquele momento, ela não pretendia denunciar o médico, alegando sentir-se ameaçada.

Após a intervenção, a vítima enfrenta marcas e efeitos colaterais.

Sete anos após a cirurgia, a vítima afirma enfrentar ainda os impactos da operação. Ela relata que a cicatriz da abdominoplastia é profunda, o umbigo está torcido e as roupas se enrolam na parte inferior da barriga.

Ela menciona também ter desenvolvido uma cicatriz extensa nas mamas, o que a leva a evitar certas roupas. ‘Ele mutilou meu corpo’, afirma. Hoje ela ainda enfrenta trauma ao olhar no espelho. Inicialmente, sentia vergonha de trocar de roupa diante do seu marido.

Ela relata que ficou emocionalmente abalada com os resultados. 'Foi um sonho meu e ele acabou queimando meu corpo. Ficou terrível', declarou.

Eu acredito que ele não deveria atuar na área de saúde, particularmente na cirurgia plástica. Pagamos para ter uma melhoria e ele não prestou nenhum auxílio.

Veja imagens das marcas

(Reprodução/Imagens cedidas ao)

Alterações realizadas para preservar elementos sensíveis e a identidade da vítima.

Veja nota da Clínica

A Clínica comunica que a decisão em questão será revisitada através de recurso imediato, uma vez que foi emitida em contrariedade à legislação. A clínica também anuncia que detém todas as licenças e o alvará sanitário vigente.

O caso em questão foi apresentado gerando erro para a defensoria pública devido à ação intencionalmente maliciosa de um denunciante que distorceu fatos e apresentou documentos de forma propositalmente incompleta.

Todas as evidências da consistência e excelência dos seus tratamentos médicos já foram apresentadas e a clínica acredita que, após a análise, tal decisão será revertida.