O relatório de avaliação psicológica de Paola Stefany Neto Cirino, concluído nesta quinta-feira (17), determinou que a diarista não sofria de doença mental, distúrbio da saúde mental ou desenvolvimento mental incompleto no instante em que teria assassinado um casal de idosos em Belo Horizonte.

Conforme avaliados os documentos disponíveis e a entrevista realizada com a acusada, os especialistas determinaram que, no momento dos acontecimentos, Paola mantinha plena capacidade de entendimento e de decisão, segundo a visão da psiquiatria forense.

Após a Justiça ordenar a abertura de um incidente de insanidade mental, a perícia foi conduzida. Na conversa, Paola afirmou ter ouvido vozes e percebido figuras sombrias que, segundo ela, teriam motivado sua conduta. Contudo, o exame não revelou sinais clínicos que indiquem transtornos psicóticos ou alterações graves de humor capazes de comprometer sua compreensão dos acontecimentos.

Relembre o caso

Maria Clotilde Atala Inácio, 76 anos, e Cláudio Atala Inácio, 75 anos, foram descobertos sem vida em seu apartamento no bairro São Pedro, na zona Centro‑Sul de Belo Horizonte. O filho do casal encontrou os corpos no começo da tarde de 30 de junho, depois que Cláudio não compareceu ao trabalho.

Conforme registrado no boletim de ocorrência, ambos exibiam lesões em várias regiões corporais, como nas costas, garganta, pescoço, abdômen, mandíbula e tórax, além de evidências de defesa.

A Polícia Civil, analisando as imagens das câmeras de vigilância do edifício, registrou a entrada e saída de Paola no dia anterior. Operadores se deslocaram até a residência localizada em Ribeirão das Neves, na região metropolitana, porém não a localizaram. Familiares relataram que ela teria partido para o Espírito Santo acompanhada do filho.

No dia 1º de julho, Paola foi localizada adormecida junto ao filho de seis anos em um quarto de hotel em Itabira. Ela não se opôs à prisão e admitiu o delito.

A Polícia Civil está investigando o incidente como latrocínio, termo que descreve o roubo seguido de homicídio. De acordo com a corporação, Paola teria lavado a faca usada no crime, tomado banho e saído do apartamento levando objetos de valor do casal, como joias, celulares e relógios.

Ela teria deixado o edifício portando bolsas e sacolas, dentre elas uma que continha a roupa usada no momento do crime.

Em 3 de julho, a prisão em flagrante de Paola foi transformada em preventiva. A juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto destacou que, naquele instante, não existiam evidências que indicassem incapacidade mental ou consumo de substâncias pela suspeita no momento do delito.