Durante os últimos 20 meses, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) registrou 140 vazamentos em redes de distribuição de água da Grande BH. De acordo com a empresa, esses vazamentos são parte da 'rotina diária' de qualquer sistema de abastecimento de água. Dados recentemente divulgados pela própria Copasa indicam que o problema se estende além das adutoras de grande porte, abrangendo redes menores também. Este fato revela um desafio persistente na gestão da água na região metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo o levantamento, desde janeiro de 2026, a rede de distribuição de água apresenta um significativo número de vazamentos, com média que oscila entre 4 mil e 5 mil registros mensais. Notadamente, em julho deste ano, mais de 5,6 mil vazamentos foram contabilizados na Grande BH. A única exceção ocorreu entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, que registrou variação de 2 mil a 4 mil casos.

O número de ocorrências actuais, assim como o de adutoras afetadas, permanece fielmente dentro dos padrões esperados e normais para o período, quando comparado com os anos anteriores.

Para controlar os vazamentos, a Copasa informou que realiza, em média, cerca de 130 intervenções diárias para consertar ou substituir as tubulações. A concessionária argumenta que essas constantes manutenções nas ruas da Região Metropolitana não indicam um enfraquecimento do serviço, mas sim a evidência tangível do trabalho diário, contínuo e intensivo para manter o sistema operacional. A empresa ressaltou que existem mais de 20 milhões de metros de redes subterrâneas, com trechos que ultrapassam 60 anos de uso.

Justificativas

No comunicado oficial à imprensa, a Copasa justificou o cenário caótico na Grande BH, argumentando que a ocorrência de vazamentos é uma contingência técnica inevitável. Além disso, a concessionária ressaltou que os casos recentes apenas ganharam destaque “pelo caráter impressionante e de forte impacto visual” e “não pelo aumento significativo no volume global de falhas”.

Quando ocorrem pequenas fendas, mesmo em pressões que devem ser normais para o sistema, a água é projetada a alturas consideráveis, gerando um impacto óptico significativo sem que isso signifique um colapso geral ou rompimento completo da adutora.

De acordo com a empresa, há diversos fatores que contribuem para os vazamentos na Grande Belo Horizonte. Entre os motivos apontados está a topografia acidentada da região, com variações de até 400 metros de desnível. Outra justificativa apresentada pela Copasa é o aumento das contrações térmicas nas tubulações em decorrência da baixa temperatura, tornando-as mais rígidas e propensas a trincas. Adicionalmente, a Companhia mencionou que as temperaturas em queda aumentam o consumo de água, o que eleva a pressão interna na rede e força os pontos de menor resistência, explicou.

Economia de água

Durante o pronunciamento, a Copasa continua a fazer um chamado à solidariedade coletiva e solicita que os moradores da Grande BH utilizem a água de maneira consciente, principalmente em áreas onde o abastecimento já foi restabelecido ou mantido. A Companhia recomenda o uso apenas em ocasiões essenciais, evitando a lavagem de calçadas, carros e fachadas.

Além disso, a empresa enfatizou que o fornecimento da rede de distribuição de água por meio de caminhões pipa é uma ‘impossibilidade física e logística em uma grande metrópole’. De acordo com a Copasa, esses veículos atuam como ‘medida emergencial de contingência’, sendo reservados exclusivamente para hospitais, UPAS, creches e asilos.

Copasa apresenta uma sequência de vazamentos em diversas localidades de Belo Horizonte e região

Desde a última semana, a Copasa enfrenta sérias falhas de vazamento de água para abastecimento de imóveis na Grande BH. O mais recente incidente ocorreu durante a madrugada desta segunda-feira (7), na rua Caetano Pirri, no bairro Milionários. Habitantes relataram ruas da região completamente tomadas por água.

O rompimento no Barreiro gerou uma ampliação significativa nos efeitos sobre o fornecimento de água. Cerca de 65 bairros de Belo Horizonte, localizados nas regiões do Barreiro, Centro-Sul e Oeste, foram diretamente impactados. Para abastecer as áreas afetadas, a Copasa deslocou 17 equipes operacionais, seis equipes de logística e utilizou caminhões-pipa.

A empresa destacou que os caminhões-pipa estão prioritariamente destinados para abastecer hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e outros serviços fundamentais. Para os moradores que já têm água em seus reservatórios, é recomendado utilizar de forma racional e prioritariamente para atividades essenciais, como forma de contribuir para a rápida recuperação do sistema, especialmente nas áreas mais elevadas e nas extremidades da rede.

Outros vazamentos

O evento no Barreiro aconteceu após uma série de problemas identificados em diversas localidades de Belo Horizonte. Desde a última segunda-feira (31), equipes da Copasa atuam na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada, na região Oeste, devido ao rompimento de uma adutora que comprometeu o fornecimento de água para milhares de moradores.

As instalações da nova adutora foram finalizadas no sábado (5), momento em que a empresa comunicou a retomada da entrega de água. No domingo (7), a companhia confirmou o reapresentar de alguns pontos de interrupção na área afetada.

No entanto, também no domingo, uma rede de distribuição de água rompeu no bairro Cidade Nova. O novo problema surgiu exatamente quando o abastecimento começava a ser retomado em áreas que haviam sido afetadas pelo rompimento no bairro Nova Granada.